terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O terno

Lucas Rafael







Lá vem um terno babaca em um lugar onde só se faz calor;
Um terno que se orgulha das suas grandes pequenas conquistas, 
cego e feliz, em um sistema completo de dor;
Às vezes  é preciso ser um terno babaca para se ter algum valor;
Um terno pode ser babaca na religião, dinheiro, status e amor;
E mesmo eu usando um terno babaca, não perco de vista a essência de quem eu sou

terça-feira, 13 de outubro de 2015

PORTADOR DE CMT PODE TRABALHAR COMO PCD?

Artigo de minha autoria sobre o qual eu tiro algumas  dúvidas sobre vagas PcD's e oriento os portadores de Charcot Marie Tooth sobre o direito de candidatar-se a vagas para deficientes no setor privado e também no setor público.


Link Original:

http://abcmt.org.br/doc/boletim9.pdf
http://abcmt.org.br/category/boletim/


PORTADOR DE CMT PODE TRABALHAR COMO PCD? 
Lucas Rafael de Moura - Representante da ABCMT no interior de São Paulo

Muitas pessoas ouvem falar sobre PcD ou vagas para PcD`s, entretanto não sabem o que significa, ou ainda, têm muitas dúvidas se pode ser considerado um PcD ou não. Mas o que é PcD? Quem tem a síndrome de Charcot-Marie-Tooth pode ser caracterizado como PcD e trabalhar em alguma vaga reservada às pessoas com deficiências? Pode-se prestar concursos públicos concorrendo como candidato com deficiência? A resposta é SIM! Eu sou portador de CMT de grau moderado e já trabalhei em algumas vagas para PcD, e, atualmente, trabalho em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Nesse artigo irei explanar alguns pontos para aqueles que tem algumas dúvidas sobre esse assunto. PcD é uma sigla que significa Pessoa com Deficiência. É utilizada para se referir às pessoas que possuem limitações permanentes (pessoas com deficiência visual, auditiva, física ou intelectual). São consideradas limitações permanentes quando a pessoa nasce com limitações ou as adquire no decorrer da vida (acidentes ou doenças diversas); e, não tem cura, ou seja, a pessoa deve se adaptar àquela situação. Com o aumento do número de pessoas com deficiência no Brasil, o governo adotou uma medida para incluir essas pessoas no mercado de trabalho. Foi então que a lei de cotas foi criada em 1991, incentivando as médias e grandes empresas a contratarem deficientes. LEI Nº 8.213, DE 24 DE JULHO DE 1991, lei de contratação de Deficientes nas Empresas; lei de cotas para Deficientes e Pessoas com Deficiência. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência e dá outras providências a contratação de portadores de necessidades especiais. Art. 93 - a empresa com 100 ou mais funcionários está obrigada a preencher de dois a cinco por cento dos seus cargos com beneficiários reabilitados, ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas, na seguinte proporção: - até 200 funcionários.................... 2% - de 201 a 500 funcionários........... 3% - de 501 a 1000 funcionários......... 4% - de 1001 em diante funcionários... 5%
Mas como eu faço para concorrer a uma vaga para PcD? Antes de tudo é preciso que você tenha um Laudo Médico diagnosticando a sua deficiência, o que ela causa e o seu respectivo CID (Código Internacional de Doenças). No meu caso, nos laudos estão descritos a Síndrome de Charco-Marie-Tooth, meu déficit de movimentação dos pés, equilíbrio comprometido e atrofia da massa muscular nas pernas, e com o CID 10 – G60.0 É importante que os laudos sejam atualizados a cada 6 meses. Feito isso, é só você apresentar esse laudo na empresa quando for fazer a entrevista e no ato da contratação, assim você já estará apto a trabalhar como PcD. Para prestar concursos como candidato deficiente, é preciso verificar as instruções do edital do concurso para concorrer às vagas reservadas. Normalmente, é solicitado o envio do laudo original , ou cópia autenticada, recente, de 6 meses até a data especificada no edital do concurso.*

domingo, 23 de agosto de 2015

São Paulo adere à Campanha Setembro Azul 2015





A Associação Brasileira dos Portadores de Charcot-Marie-Tooth (ABCMT) realizará, no mês de setembro, ações que visam chamar a atenção e conscientizar a população a respeito da doença que afeta uma em cada 2,5 mil pessoas no mundo. A campanha Setembro Azul contará com atividades em pelo menos dez estados brasileiros, além do Distrito Federal, Estados Unidos e Portugal. Em algumas cidades, prédios públicos e monumentos históricos receberão iluminação azul e os servidores serão convidados a usar roupas e acessório azul em dia especifico do mês de setembro.
Atualmente, a síndrome, considerada a principal neuropatia de origem genética, tem cerca de 80 mil portadores no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Este distúrbio do sistema nervoso é transmitido geneticamente e tem sintomas lentos, mas progressivos, sendo que seu desenvolvimento varia de pessoa para pessoa. A CMT causa alterações motoras nas pernas, nos pés, nos braços e nas mãos. Entre os sintomas mais presentes estão alterações, atrofias e perda de força nos membros inferiores e superiores. Em alguns casos pode ser necessário o uso de órteses, andadores ou cadeiras de rodas.
Outro objetivo da Campanha Setembro Azul é aumentar o número de cadastros de portadores e familiares da doença, além de profissionais da área da saúde no site da Associação (www.abcmt.org.br). “Acreditamos que desta forma conseguiremos dividir conhecimento com outras pessoas que também têm a doença diagnosticada”, afirma Angela Merici, presidente da ABCMT.
Ainda não existem tratamentos para a CMT, porém os portadores buscam formas que podem minimizar seus graves sintomas, entre eles: fisioterapia para o fortalecimento muscular e alongamento para evitar a perda muscular; terapia ocupacional para auxiliar a enfrentar as dificuldades no dia-a-dia; aparelhos ortopédicos para colaborar com a mobilidade e prevenir lesões.

Sobre a Associação Brasileira de Portadores de Charcot-Marie-Tooth (ABCMT): fundada em 2011, no município de Ribeirão Preto, em São Paulo, é uma associação civil, sem fins lucrativos e sem caráter religioso ou político-partidário. Sua atuação é em âmbito nacional e ocorre através de seus 12 representantes presentes no Ceará, Espírito Santo, Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Seu objetivo é disseminar informações e pesquisas clínicas sobre a doença, além de promover a inserção social dos portadores de Charcot-Marie-Tooth. Outras informações podem ser obtidas no site www.abcmt.org.br.

Depoimento de portador:
Eu, Susi Kelly Benevides, sou portadora da Síndrome de Charcot-Marie-Tooth (CMT). A descobri, quando tinha 18 anos de idade, hoje tenho 44 anos, em 1989, época em que essa síndrome era pouco conhecida no Brasil. Fui diagnosticada graças a um médico da Unicamp Campinas, que tinha acabado de voltar de um Congresso Internacional, e desconfiou de minhas decorrentes inflamações em tendões da mão (devido ao trabalho que exercia), das quedas quando criança e do meu pé cavo (cirurgia ortopédica aos 8 anos de idade); me encaminhou à São Paulo (capital) para fazer um dolorido e pago exame de Biopsia. Depois de 2 meses, chegou por carta, o resultado em minha casa, dizendo que eu era mesmo portadora de CMT, e ouvi do médico: “Você é portadora, não morrerá disso e sim com isso, é  genético e se tiver filhos eles também poderão ter”, uma frase que por toda minha existência ficou registrada com muito peso, e nesse momento decidi nunca ser mãe, pois nunca iria querer que meu filho(a) passasse pela humilhação que sempre passei em minha infância – onde não conseguia pular corda, correr e exercer atividades físicas corriqueiras e comuns de qualquer criança – pois sempre tinha uma criança “debochando”.
Enfim, já nessa minha fase adulta, entendo que a CMT é mais grave do que se conhece, que nós portadores não morremos disso, mas sofremos progressivamente com o agravamento dos sintomas, com o desconhecimento e falta de interesse dos médicos e poder público em pesquisas e qualidade de vida a todos os portadores de Charcot-Marie-Tooth.
Encontrando a ABCMT – Associação Brasileira dos Portadores de CMT vi uma esperança, um real interesse em reunir portadores, mobilizar e conscientizar a população; um fortalecimento na união de portadores que sofrem desde criança com algo desconhecido por muitos.

Fonte:
http://www.iaol.com.br/jornalolegado/texto.php?id_artigo=6016&C=163&S=0